quinta-feira, 8 de março de 2012

Homenagens

Hoje à tarde, quando passei pela portaria do prédio onde moro, o porteiro, Seu Jair, super gente boa, veio me dar um abraço e disse "Parabéns!". E eu respondi, realmente surpresa: "Parabéns por quê, seu Jair?". Ele sorriu e disse: "Porque você é mulher, hoje é o seu dia". E eu, contrariando toda a sua gentileza, respondi: "Que bobagem, seu Jair. Eu nasci assim, então isso é mérito da natureza, e não meu".
Desculpa, seu Jair, o senhor foi muito gentil, e sei que ficou espantado com a minha resposta. Uma vizinha que passava também olhou estranho. Afinal, as mulheres adoram ser elogiadas e ganharem flores nessa data. Mas eu não me derreto, não. O que adianta ganhar flores e elogios (a maioria tão clichês que dá náusea) e não ter a resolução dos velhos problemas? Ainda ganhamos menos do que os homens para exercermos as mesmas funções. Os níveis de violência contra a mulher ainda são chocantes (segundo Organizações Internacionais, de cada 4 mulheres, uma já foi ou será vítima de violência sexual durante sua vida). A distribuição de riqueza entre homens e mulheres, ao redor do mundo, ainda é extremamente desigual. E, dentro dos lares, mulheres acumulam jornadas de trabalho, se desdobram para sustentar e educar os filhos e, se estes se disvirtuam e se tornam pessoas de índole duvidosa, todos se lembram de cobrar a mãe que criou mal, mas dificilmente se lembram do pai que abandonou, ou negligenciou a educação dos filhos.
Desculpem o post meio mal humorado, mas não estou vendo muitos motivos para comemoração.
Mas deixo aqui um poema para as minhas companheiras - poema este que foi compartilhado no facebook por um homem, meu amigo Pedro Marques, que, acredito, é um verdadeiro admirador das mulheres:


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Carnaval, o dicionário e o politicamente correto

Nem tudo é alegria no Carnaval! Não, não vou me referir ao episódio da apuração do desfile das escolas de samba de São Paulo - lamentável (para não dizer ridícula), é claro, mas nem por isso tão relevante a ponto de ser pauta quase exclusiva do Jornal Hoje, exibido pela Rede Globo, no dia 22/02/12.
Refiro-me à uma notícia que vi ontem num portal de internet: "Luís Caldas afirma que nunca participou do apartheid baiano". A manchete sugestiva era de uma notícia em que o cantor, que agitava o Carnaval de 2012, se defendia da acusação de racismo, feita contra ele em dezembro de 2011. Na ocasião, o cantor teve um corte de 30% em cachê  de um show realizado no 1º Festival de Blues e Jazz da prefeitura de Camaçari (BA), por ter cantado sua famosa canção "Nega do Cabelo Duro". Sei que a primeira pergunta que não quer calar é o que Luís Caldas estava fazendo em um festival de blues e jazz (ritmos que, aparentemente, passam longe de seu repertório); a segunda é se seria legal/justo/pertinente punir o cantor por executar sua obra mais famosa, e a pedido do próprio público (conforme afirmou sua assessoria).
Tenho refletido muito, atualmente, sobre o famigerado "politicamente correto". Os poucos, mas seletos (rs...) leitores deste blog sabem, por tantos posts, o quanto sou atenta à linguagem e aos preconceitos que veladamente ela transmite, mas confesso que a onda politicamente correta tem se tornado uma tsunami e, ao contrário de proporcionar reflexão sobre como os preconceitos surgem e são mantidos pela linguagem, está simplesmente cerceando textos e subestimando a capacidade analítica das pessoas.
Não vou dizer que a letra da canção de Luís Caldas contenha elogios à população afrodescendente. Ela realmente reforça alguns estereótipos negativos em relação à figura dos negros. Mas será que cortar o cachê de um artista popular não é ir longe demais na cruzada pela igualdade racial? Proibir a música de ser cantada seria a solução para extirpar da sociedade o racismo internalizado por séculos? Ou será que construir canções, poemas, quadros, filmes que apresentem negros de forma positiva, em diversos contextos e papeis sociais não seria mais efetivo? Ou será que dar oportunidades para que os negros ganhem salários iguais aos dos brancos e tenham as mesmas oportunidades de educar-se, qualificar-se profissionalmente e ascender economica e socialmente não seria mais eficaz?
Outro fato que me despertou mais uma vez a reflexão sobre o "politicamente correto" foi a notícia de que o Ministério Público Federal protocolou, em Minas Gerais, uma ação contra a editora Objetiva e o Instituto Antônio Houaiss, na qual, além de uma multa de R$ 200 mil, requer como punição a retirada do mercado do famoso dicionário Houaiss. A acusação é semelhante à feita contra o cantor baiano: racismo. O busilis da questão está no verbete cigano, que traz, entre suas definições: "aquele que trapaceia, velhaco, burlador; aquele que faz barganha, que é apegado ao dinheiro, agiota, sovina".
A ação teve início no ano de 2009, quando um brasileiro da comunidade cigana fez uma representação em que queixava-se do preconceito difundido contra os ciganos pelos dicionários. Após uma investigação, o Ministério Público expediu ofícios a várias editoras solicitando que o verbete fosse modificado, no que foi atendido por várias delas, como Globo e Melhoramentos. Segundo o autor da ação, o procurador Cléber Neves, a Editora Objetiva teria ignorado o ofício e a solicitação do Ministério Público.
Parece legítima a queixa dos cidadãos ciganos, afinal, ninguém gostaria de ler coisas tão pejorativas a respeito da etnia ou grupo social ao qual pertence. Entretanto, vale ressaltar que, no dicionário Houaiss, os trechos marcados como preconceituosos são introduzidos pela rubrica "Pejorativo", o que indica que o dicionário reforça para aquele que o consulta que os sentidos ali descritos são depreciativos, e não que se trata de uma "definição" que deve ser tomada como verdade.
Há pouco tempo tivemos uma polêmica em torno da obra de Monteiro Lobato, que foi também considerada racista e proibida, pelo MEC, nas salas de aula, ou autorizada apenas com "notas de rodapé" que explicitassem aos leitores que a caracterização de personagens como Tia Nastácia depreciava a imagem do negro. Para além do fato de que chamar Lobato de preconceituoso é um anacronismo (pois no contexto em que cresceu e viveu Lobato o racismo era um conceito, legitimado, inclusive, cientificamente, e não um pré-conceito), eu me pergunto se não estamos subestimando demais a capacidade analítica das pessoas. Professores e alunos não podem ler qualquer obra e perceber por si mesmos preconceitos presentes nelas? Não podem refletir sobre eles? Debatê-los? Isso não enriqueceria o pensamento crítico dos nossos estudantes?
Da mesma forma, o dicionário Houaiss, que já vem com sua "nota de rodapé", isto é, com sua rubrica de "pejorativo", não estaria apenas explicitando um sentido generalizado sobre os ciganos e que precisa ser discutido, analisado, reformulado? O dicionário, em si, não cria os sentidos que compila. Se o termo cigano assim está dicionarizado, é porque a imagem negativa do cigano (assim como a do negro, da mulher, do judeu, do homossexual e de outras "minorias sociais") está difundida na sociedade. Então: atenção, Ministério Público! É melhor mandar revisar o dicionário inteiro! E censurar praticamente toda a literatura universal! Em nome do bom-mocismo (essa doença perniciosa que se alastra pelo território e mentes nacionais), vamos encher os clássicos com notas de rodapé.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Estupro, sim senhor!

Se os reality shows se gabam por mostrar a realidade, podemos dizer que o programa Big Brother Brasil, exibido pelo Rede Globo, realmente nos mostrou, neste início de semana, uma triste realidade: homens que pensam que se aproveitar de mulheres inconscientes não é estupro.
Particularmente, não assisto ao referido programa, sobre o qual já fiz um post analítico neste blog. Mas foi impossível ignorar um assunto tão grave. Procurei na rede a deplorável cena e vi com meus próprios olhos uma mulher imóvel, desacordada, e um homem que, pelos movimentos do pano que os encobria, obviamente estuprava esta mulher. Não sei os nomes dos participantes. Não me interessa. O que me interessa mesmo é a opinião das pessoas sobre este assunto. E esta me assusta um pouco.
Pude constatar mais uma vez o fenômeno de culpabilização da vítima num comentário que li num blog: "Também ela bebeu muito. Se não tivesse (sic) bêbada, isso não acontecia (sic)". Para mim, esse argumento é absurdo. Tantas pessoas se embebedam e não são estupradas, felizmente. Para mim, isso não teria ocorrido se o referido agressor tivesse o mínimo de respeito pela pessoa que estava ao seu lado.
Há um pensamento pernicioso de que a culpa é da mulher que não defende sua "honra". De novo aquela história de que ela provocou ou permitiu. Mais uma versão da história da minissaia. Mas o que me enoja mesmo é a ideia de que se ele não bateu, não houve sangue, hematoma - então ela consentiu. Como pôde consentir, se estava inconsciente? A violência me parece tanto maior, pois velada não apenas sobre as cobertas, mas principalmente sobre a lógica do direito masculino de se aproveitar do corpo feminino como objeto, do qual ele não precisa de qualquer autorização para usar. Essa mesma lógica que faz com que homens passem a mão na nossa bunda, só porque estamos usando um short curto. Como se ao despertarmos o desejo de um homem, fossemos obrigadas a satisfazê-lo, pois nossos corpos estão aqui para isso, não é mesmo?
Esse fato só reforça para mim que o machismo continua aí, cada vez mais fortalecido, na medida em que a falácia de que ele não existe se espalha.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Crônica natalina (ou anti-natalina???)

Odiava Natais e passagem de ano (que ele se recusava a chamar de reveillon). Era um cético convicto. Não se deixava seduzir por cãezinhos fofos com chapéus de Papai-Noel, nem com luzinhas coloridas nas sacadas, nem com os comerciais com votos de um feliz ano novo com textos de poetas renomados, belas paisangens, vovós e crianças sorrindo, jovens apaixonados se beijando. Às vésperas do Natal, gostava de refugiar-se, segundo suas próprias palavras, em um sítio em Cambuquira,onde construíra uma pequena casa, rústica mas aconchegante. Sem home theater. Sem churraqueira. Sem piscinas com cascatas ou tobogãs. Sem nada que atraísse aquele primo distante com a família, que subtamente poderia ser acomedito com uma saudade incontrolável dele.
Antes que se diga que era um mal amado, um infeliz - a ofensa mais comum àqueles que não se entregam às euforias coletivas, à felicidade superficial e barata - acrescente-se que se considerava bem casado (sem filhos, é claro, pois não queria transmitir a ninguém "o legado da nossa miséria"), tinha muitos amigos e era querido por eles.
Mas ainda assim, um cético convicto. Um dia, numa mesa de bar (onde surgem os melhores inventos, as mais profundas filosofias e são feitas as mais bombásticas revelações), perguntaram-lhe sobre "essa sua mania de não gostar de Natal".
- Zé, você tem que parar com essa sua mania de não gostar de Natal. O que é que tem reunir a família, presentear quem a gente gosta, fazer uma comida especial e agradecer tudo o de bom que a gente teve durante o ano?
- Eu já faço isso sempre! Olho no espelho toda manhã e digo pra mim mesmo: obrigado, Zé, por você ter me dado este pijama, esta escova de dente, esse barbeador...
E risonho, tomava mais um gole de cerveja.
- Estou falando sério, Zé. Você não acha que eu tenho razão?
- Claro! É tudo de bom reunir a família que não se vê quase nunca e todo mundo ficar falando que gosta muito de você, que estava com saudade... Se estava, por que não veio me ver antes? E essa coisa de trocar presente, então... Uns dias antes do Natal seus amigos e parentes começam a dar indiretas do tipo "Nossa, que lindo!", toda vez que você passa com eles na frente de uma vitrine. Ou então seu irmão vem e fala "Meu relógio quebrou, estou esperando pra comprar outro porque fim e começo de ano tem tanta conta pra pagar"...
- Ah, Zé, não é bem assim, você está exagerando. E assim mesmo, se não gosta de tudo isso, podia comemorar só você e a Linda, que, com todo o respeito à sua esposa, é realmente linda...
- A gente já comemora muito todo dia - disse com ar de malícia, levantando o braço e pedindo mais uma gelada.
Não se conformavam. Ele devia estar dizendo aquilo só para escandalizar. Para ser do contra. Mas um deles não se conteve:
- Mas porque você é tão chato assim? Digo no bom sentido, claro, uma pessoa assim tão crítica, tão descrente?
- É que eu me desiludi muito cedo.
Um silêncio pesaroso se espalhou pela mesa enquanto Zé enchia novamente os copos. Era um momento solene, algo de íntimo seria revelado. Todos olhavam Zé enquanto ele sorvia rapidamente a espuma que transbordava do seu copo, esperando que ele contasse episódios tristes de infância, brigas em volta do peru de Natal, cuecas e meias de presente.
- Ahhhh, delícia - e percebeu todos os olhares compassivos sobre ele. - O que que foi, gente? Alguém morreu?
- Provavelmente, todo dia morre alguém - disse um deles - mas estamos esperando você contar que desilusão foi essa!
- Ah, tá... Não é nada muito específico. É que tudo o que eu acreditava na infância era mentira, cara... o coelhinho da Páscoa, o papai Noel, a Vovó Mafalda...
- Vovó Mafalda?
- É, a Vovó Mafalda! Vai me dizer que você não se sentiu apunhalado pelas costas quando descobriu que a Vovó Mafalda era homem?
- Zé, eu estava falando sério...
- Eu também!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O político e a política

Neste segundo semestre de 2011, os dois feriados cívicos - 7 de setembro e 15 de novembro - foram marcados por manifestações contra a corrupção. As datas, que comemoram a Independência do Brasil e a Proclamação da República, incitaram aqueles que se revoltam com a violação da res publica, prática enraizada profundamente na política brasileira. Nada de novo sob o sol!
Porém, algo aparentemente novo foi reforçado pelos telejornais: as manifestações foram divulgadas em redes sociais, e não se relacionavam diretamente à política. O fato, mencionado por todas as reportagens que assisti, me trouxe alguns questionamentos: seria uma tentativa da sociedade civil de se articular e reivindicar maior ética na política? Uma forma de dizer que, independente de posturas político-ideológicas, precisamos exigir transparência e compromisso como o bem público? Ou seria mais um ato público cujas repercussões na vida prática seriam muito pequenas ou nulas?
Eu queria ser uma pessoa otimista e dizer que acredito nas duas primeiras hipóteses, mas minha observação da realidade me faz acreditar na terceira. Sempre que vejo estas manifestações, com pessoas usando narizes de palhaços e empunhando faixas contra os políticos corruptos, penso na estranha relação que o povo brasileiro, em geral, têm com a política. Sim, neste caso, a diferença de gênero, em nosso país, é bem pouco refletida, e isso vai muito além da gramática. A maioria das pessoas não vê a política como um conjunto - de ideias, regras e ações - que rege as relações de poder, o controle social, os bens materiais e imateriais de uma coletividade. Geralmente, elas confundem a política com o político - pessoa que ocupa um cargo público, para criar projetos e leis, ou para executá-los - ou suas instituições oficiais - a prefeitura, a câmara municipal, o congresso nacional etc.
Ao dizer que essas manifestações não tem relação com a política, alguns jornais poderiam dizer que elas talvez não tenha relação com os políticos, com partidos, siglas, ideologias específicos. Seria mais apropriado, mas ainda assim, questionável. Pois por traz da postura "apolítica" de algumas pessoas, vislumbramos uma tácita concordância com o status quo. E ainda que se releve discordância, no caso desses cidadãos que se revoltam contra a corrupção, é interessante observar a análise (ou falta dela) que fazem deste fenômeno social.
Que me perdoem os cientistas políticos ou sociólogos se uso de forma equivocada o termo "fenômeno social", sejam pacientes, pois não tenho qualquer formação acadêmica nesta área. Eu uso esse termo porque acho que a corrupção, em nosso país, excede a moral individual e toca à (i)moralidade coletiva. É fato que o Brasil possui uma aceitação social da corrupção, haja vista o número de pessoas que acham "normal" quando alguém "leva um por fora" em determinadas transações. E não falo de coisas do alto escalão, de quantias fabulosas. Falo de coisas muito cotidianas: aquele síndico que aceita um "presente" do empreiteiro que acaba escolhendo para fazer a reforma do telhado do condomínio, por exemplo. E se pararmos para pensar, vamos perceber uma série de atitudes de pessoas de bem, respeitáveis, que se aproveitam do trabalho (e do dinheiro) alheio: não pagando empregados ou prestadores de serviço (falta dinheiro para isso, mas não para trocar de carro, viajar pra Maceió etc), fazendo aquele gato da TV a cabo (hoje modernamente disfarçado num aparelho que "pega todos os canais de graça"), comprando DVDs e CDs piratas de camelôs. Não, mas isso não é corrupção! Corrupção é só no Congresso, lá em Brasília.
Ressalvo que não estou dizendo que pessoas que têm tais atitudes são absolutamente indignas, pois o ser humano é um poço de contradições! Nem estou afirmando que todas as pessoas que participam destas manifestações são assim. Há pessoas íntegras e bem intencionadas que protestam, mas estas vão além do cartaz, do grito, da foto no facebook. Por que, no fundo, tais passeatas não deixam de ter seu apelo midiático, seu cunho apoteótico, cujo barulho repercute mas é improdutivo. Foi assim com tantos movimentos políticos, no Brasil contemporâneo. Muito barulho, pouca ação prática e cotidiana mais duradoura. Quem não se lembra dos caras-pintadas do início dos anos 90? Passado o impeachment do presidente Collor (que não ocorreu pela ação deles, absolutamente), qual foram as ações efetivas do movimento estudantil no restante de uma década de tantas transformações econômicas e sociais que repercutiram na Educação, entre outras coisas? Eu não vi este movimento se levantar na criação da LDB da Educação de 1996, que não apenas tirava do ensino técnico o grau de ensino médio (2o grau, na época), como proporcionou, de certa forma, o desenvolvimento astronômico do ensino superior particular no Brasil, paralelamente ao descaso com o ensino superior federal observado em todo governo FHC.
As manifestações públicas são um direito dos cidadãos, fundamental na prática democrática. Entretanto, é preciso refletir sobre a corrupção e a política de forma mais aprofundada, e agir nas pequenas e grandes atitudes do dia a dia. Os políticos não vieram de Marte - são reflexos da nossa sociedade. E se são corruptos, antes de atirarmos pedras neles, é melhor que nos olhemos no espelho sem embustes e analisemos seriamente se a palavra ética é para nós mais um vocábulo bonito para se usar nos discursos, mas pouco significativo em nossa vida diária.